domingo, março 18

O Pastel

Este é um texto do Feijão, e fazia parte do famoso acervo de textos do antigo Chutafoca.

Uma obra prima.


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O Pastel

Pastel engorda. Ele possui um fator social de extrema importância, interessante avaliar como mantém o relacionamento entre o que é racional e o que é sentimental. Ah, o pastel delineia o muro de proteção? Pastel engorda.

A massa parece a casca que esconde o interior conhecido. Interessante o que esse muro delineia, seria o recheio? Ou simplesmente o despertar da quinta-feira da barraca de feira ou ainda a conversa da noite passada ou ainda a ligação da manhã ou ainda o recheio do pastel. De queijo.

Foram três, hoje serão três. De queijo. Mas serão três, não, minto, existe os de dois queijos, três queijos, mas queijo. A culpa do pastel é a mais lógica, primeiro você arrebenta uma casca, vê seu interior. Conhecido. E depois, ataca-o de forma voraz. Quantas calorias implícitas, absurdo, um pastel de queijo engorda.

E o que você diria para o pastel, não se pudesse, afinal você pode, não sei porque não diz, mas... "Sr. Pastel, eis que aqui a minha frente vejo-o, posição tão sublime, de tal recheio saboroso, aliado a esta gordura suja, logicamente calculada no seu preço, afinal, pago pela sua sujeira também, mas não é somente pelo preço que o seguro. Não somente o seguro, como seguro-o e ainda a noção exata do que sei que pode acontecer, do que provavelmente vai acontecer, mas, Sr. Pastel, eu sei que o senhor gosta de mim da mesma maneira oposta que eu não gosto de você, mas parece que eu sei que há outrem. Será que há? Bem, você está esfriando."

Assim, você devora o Sr. Pastel e o que resta? Onde está sua casca, seu recheio? O que importa é o outrem, este que faz com que outra casca e outro recheio valham a pena, tal qual o do pastel.