sábado, outubro 27

Cadeia Alimentar, Ecossistema

Hoje eu fui na Pedra Balão, que fica lá em cima da serra. Fica nas costas da cidade. Longe o suficiente pra dar uma trégua do meio urbano. Ar puro e sol da tarde. Sol da tarde fica mais valorizado no horário de verão.
Fiquei lá por um período de 2 latas de skol. Que foram devidamente jogadas no lixo. O que todos que vão lá deveriam fazer, mas infelizmente...

Ambiente: Tinha a gente. Tinha turista. Tinha as donas do Bar Balão. Tinha coruja que ficava olhando. Tinha calango tomando sol nas pedras. Tinha gavião plainando alto. Tinha passarinho. Tinha uma espécie de formiga que voava enquanto tinha asas, e fazia buracos no chão. Com certeza tinham mais coisas, e coisas vivas.

Sentamos nas pedras. Lá tem várias. E ficamos tomando sol. Os calangos também, eles tem sangue frio, então talvez seja um pouco mais importante pra eles.

Tinha muitos buracos daquela espécie de formiga no chão.

De repente dos buracos de formiga começaram a sair formigas com asas. Parecia um exército, cordenado. Todas ao mesmo tempo de dentro do mesmo buraco. Cada hora de um buraco. Os buracos zumbiam de tanta asa batendo. Uma nuvem de formigas com asas se formava. Até incomodavam um pouco.

Alguns calangos corriam pra direção dos buracos no chão, e certamete faziam um bom rango.
Alguns passarinhos atravessavam as nuvens de formigas com asas, e certamente faziam um bom rango.
A coruja certamente queria fazer um bom rango, mas nossa presença estava atrapalhando seu ataque aos calangos que atacavam os formigueiros no chão. Então ela fazia um estranho barulho olhando pra nós. Algo como um: "Tira o pé da minha janta, FDP!".
Eu pensei: "Pra completar hoje eu vou comer coruja à passarinho" (tô zuando).
Mais lá pra frente. o gavião mergulhava reto no ar pra pegar alguma coisa. Provavelmente um bom rango que eu não vi o que era.
As formigas que se salvaram dos famintos acabavam por perder suas asas depois de um tempo. E (dãr!) viravam formigas sem asas.
As formigas sem asas cavavam um buraco no chão cada. E desse buraco começavam tudo de novo.
As latinhas de skol acabaram. Vazei e não deixei rastro lá. Talvez um pouco te raiva na coruja. Mas ela compensa isso depois.
Lembrando que choveu esses dias. Água é vida. Faz a vida borbulhar.
Deviam cobrar taxa de preservação ambiental nesse lugar. É da hora.