quarta-feira, setembro 17

Gases Excepcionais

Fui ao médico hoje pela manhã. Ortopedista. Tipo, aquela fita de eu ter esquecido o horário da consulta, o endereço e o nome do médico foi resolvida facilmente. Ainda bem.

Aguardava minha vez de ser chamado para preencher uma ficha, antes da consulta. Lá atendem vários médicos e havia umas 20 pessoas na sala de espera.
Então entrou na sala um cara com síndrome de down acompanhado pela mãe, uma senhora já com uma certa idade. Eu deduzi que ele já era adulto, embora tivesse um jeito de criança.
Ele olhou pra mim e sorriu. Eu sorri pra ele também, hehe. Então ele veio na minha direção, colocou a mão no ombro esquerdo e disse:
- Aqui dói muito!
Eu pensei né: Será que ele tá achando que eu sou o médico? - e falei:
- Nossa! - E fiz uma cara meio de espanto, meio de dor.
Ele confirmou:
- É, dói muito aqui ó - e mostrava o ombro esquerdo.
Dae eu dei corda:
- Sabe, o meu também tá doendo muito, só que é o do outro lado - e apontei para o meu ombro direito.
E ele olhou, sorriu novamente e disse:
- Ééééé - e parece q ficou feliz por eu tb ter dor no ombro. hehe.

Enquanto tínhamos esta rápida conversa, a mãe dele já se aproximou e o chamou para sentar ali do lado.

Eu fui chamado para preencher a minha ficha, voltei ao meu lugar, e continuei aguardando a consulta. Então meu amigo down e sua mãe foram chamados para preencher a ficha. A mãe foi na frente e ele foi andando devagar atrás dela. Foi quando começou: Ele ia andando devagar, com passos meio tortos, e soltando uns peidos muito barulhentos! hauahuauhauhauhauh Era um passo e uma bufa estrondosa, outro passo e outra bufa estrondosa. Foram uns 4 peidões, na maior naturalidade.

As pessoas da sala se olharam, e sorriram. Foi curioso. Como se ele tivesse num estado maior de liberdade, sem pudores sociais, sei lá... Na situação dele, aquilo não era feio, nem nojento, nem nada. Era natural. E ele não mudou em nada seu comportamento ao ficar peidando barulhosamente numa sala de espera cheia de gente. Seguiu até a mesa da secretária e aguardou a mãe preencher a ficha.

Acho que eu só pensei: Esse meu novo amigo é roots!